Falta de sexo em concentração pode atrapalhar dupla Ba-Vi no fim do Brasileirão

Falta de sexo em concentração pode atrapalhar dupla Ba-Vi no fim do Brasileirão

Aumento no período de confinamento dos atletas em reta final do Brasileirão pode ser um tiro no pé da dupla Ba-Vi caso pedido de torcedores seja atendido

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A dupla Ba-Vi está em momento delicado a somente 6 rodadas antes do fim do Brasileirão. Ambos tropeçaram na 32ª rodada e não conseguiram seus objetivos. Na Série A, o Leão foi derrotado em casa pelo Cruzeiro e continuou na zona de rebaixamento. Na Série B, o Esquadrão empatou com o frágil Oeste e perdeu uma nova chance de entrar no G-4.

No imaginário dos torcedores, só há uma solução para os casos: o confinamento. “É preciso concentrar mais os jogadores. Só correm atrás de namorada”, aponta um rubro-negro. “Precisa aumentar a concentração, esses caras só pensam em mulher”, define um tricolor.

 

No entanto, concentração baseada em privação do jogador de futebol ao ato sexual, principalmente durante longo período, pode ser um tiro no pé dado pela própria comissão técnica. “Tem indivíduo que tem maior apetite sexual do que outros, então a abstinência acaba revertida em agressividade”, explica o fisiologista Alexandre Dortas.

Especialistas norte-americanos acreditam que essa fórmula é válida no que diz respeito às lutas. Considerado um dos melhores pugilistas da história do boxe, o ex-campeão peso-pesado Muhammad Ali ficava até seis semanas sem fazer sexo. No entendimento do seu staff, com a elevação do nível de testosterona, Ali estava mais próximo de nocautear seus adversários, ao menos em teoria.

O problema é que dentro das quatro linhas a história é bem diferente. A consequência dessa agressividade em campo é o aumento de cartões amarelos e expulsões. E nessa tabela o Vitória já briga pelo topo.

 

Com experiências na dupla Ba-Vi pesando no currículo, Dortas defende  que as concentrações são válidas para evitar desgastes físicos ou psicológicos. “A concentração feita no futebol, que tira o atleta do convívio com a esposa, não é com o objetivo de colocá-lo em abstinência sexual. Na verdade, serve para que ele se afaste de problemas de ordem familiar e o deixe mais tranquilo para a atividade que virá a desempenhar”.

Motivo este que, na visão de Charles Fabian, ex-artilheiro do Bahia e novo técnico do Anápolis, de Goiás, é só começo da defesa das concentrações. “Se você não coloca a concentração, o treinador fica em casa preocupado porque não sabe para onde vão os jogadores. Tem os que são responsáveis, mas alguns que não pode confiar de jeito nenhum”, analisa.

Fugas e farras

As polêmicas que cercam o tema são de longa data no Brasil. Fugas, mulheres infiltradas, festas secretas, circulação de bebidas alcoólicas e outras inúmeras situações dentro (e fora) das concentrações ganharam as páginas esportivas do mundo do futebol ao longo dos anos. Um assunto que boleiro que se preze não comenta, nem depois de aposentado.

“Isso aí só dá problema [falar sobre concentrações]. A gente sabe de muitos esquemas que rolaram. Dar uma ‘fugidinha’ era certo. Quem ia aguentar ficar no seco com tanta mulher em volta cheia de amor pra dar? [Risos] Falando sério, hoje em dia não sei se têm [fugas]. A fiscalização é maior. Hoje tem celular, internet, torcedor correndo atrás, tudo que você imaginar”, revela um ex-craque do Vitória que se tornou ídolo internacional após diversas conquistas, inclusive pela seleção brasileira.

 

Pelo visto, não é exatamente no corte do entretenimento entre quatro paredes que fará o atleta estar descansado o suficiente para entrar em campo. O problema possivelmente esteja na farra que o antecede. Com salários consideráveis, não é tão difícil para o jogador solteiro entrar em um esquema que termine numa cama de casal. Porém, as escalas em festas e bares antes dos fins, são meios inevitáveis.

“Tem jogador de 18, 19 e 20 anos que são independentes financeiramente. Vai saber o que se passa na cabeça de um menino desses, que muitas vezes nem tem estrutura familiar? Com dinheiro no bolso, você não sabe o que cara vai fazer”, analisa Charles.

Uma situação que também engloba alguns boleiros casados que inventam de pular a cerca. “A facilidade para o jogador de futebol hoje é bem maior. O cara é tratado como estrela. É artista”, completa o treinador. Se foram flagrados, é certeza de crise conjugal.

Em ambos os casos, adeus tranquilidade e foco na partida.

Tudo tem limite

No fim das contas, não é a abstinência sexual que fará o jogador estar melhor condicionado ou com foco apurado para o jogo. “Os atletas devem ser tratados de forma individualizada. O jogador com muita libido, por exemplo, em abstinência, sente um desconforto fisiológico”, explica Dortas.

Apesar de defender a prática no futebol, o especialista reconhece que nem sempre ela alcança o resultado esperado. “Tem aqueles que não conseguem dormir por não estarem acostumados com outro colchão que não seja o de casa”.

Até Charles, com sua fama de linha dura em suas duas passagens à frente do Esquadrão, reconhece que menos é mais. “Claro que uma concentração muito longa atrapalha. É um exagero ficar três dias. Na minha época [de jogador] não atrapalhou, mas hoje em dia satura muito”, pondera o campeão brasileiro de 1988.

 

Quanto ao dito popular de que ‘mulher enfraquece as pernas’, desconsidere. A explosão de energia causada pelo ato sexual “provoca um relaxamento muscular e psicológico”, explica Dortas. É comprovado que após a prática, as pessoas passam a ter um sono mais agradável e recobram as energias com mais facilidade, tornando-as mais dispostas (e felizes) no dia seguinte. Só não vale perder a noite de sono, afinal que tudo tem limite, óbvio.

Então, a conclusão de especialistas é que não será a abstinência sexual, tampouco o aumento de dias de concentração, que fará o rubro-negro permanecer  e tricolor retornar à elite do futebol brasileiro.

Fonte/ Varela Noticias